quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Coisas que detesto em São Paulo

Detesto ter que marcar hora para visitar um amigo,
não poder pedir um favor porque é indelicado,
viver lançando indiretas quando preciso de ajuda.

Sinto falta de aparecer à meia noite
tocar o interfone, “Sou eu, abre”.

Ah, não, agora são homens e mulheres de família
e tudo tem que ser certinho, regrado
e tão chato, mas TÃO chato,
que chega a ser insuportável!

IN-SU-POR-TÁÁÁÁ-VEL!

Assim mesmo, com vontade de gritar!

Como me dá raiva
esse monte de conveniências
que servem para deixar a vida feia
e afastar velhos amigos.

Onde estavam os sorrisos
agora estão as responsabilidades tediosas
e inventadas
porque a vida
não precisa ser assim.

Conforto, planejamento,
aos diabos!

Agora você deve fazer esse teatro
e viver sozinho
porque a vida é assim.

Como me cansa tudo isso
e me deixa infeliz
com vontade de ir embora
e ficar sempre indo
e não voltar nunca mais
para lugar nenhum.

Mas queria levar junto
algumas pessoas
poucas, pouquinhas
com quem posso falar
e ser e viver
e é simples, é gostoso
e bom como amizade de criança.

Campinas, 6 de novembro de 2008.