sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Não sei exatamente o que fazer

Já foi a segunda vez que aconteceu
e de novo eu não soube o que fazer,
e como me acontece, cada vez mais
não saber exatamente o que fazer.

Eram meias à venda em frente de minha casa
e perfume, protetor solar, e essas coisas
que eu não comprei e fiquei pensando
no desejo de ajudar a senhora
andando pela rua com essas coisas pesadas
levando a vida, trabalhando duramente,
e outra vez vem todo o mundo em minha cabeça
toda a miséria, toda a amargura, toda a podridão
e tantas coisas para fazer, tantos lados para ir,
e eu não sei exatamente o que fazer.

Desejo, e só o desejo não é suficiente.

Enquanto eu penso em minha angústia
a mulher que me ofereceu perfumes
segue andando pela rua
trabalhando, sim, trabalhando duramente
e eu não sei exatamente o que fazer.

Podia, pelo menos, ter oferecido um café,
eu, que já estive do outro lado,
por incrível que pareça sinto saudades
de pedir o pão velho, o resto do almoço,
da vida simples.

Como é bom ouvir um sim
você até esquece os infinitos nãos
e se delicia com a caridade,
com a atenção.

Da próxima vez, pelo menos,
vou oferecer um copo d'água
e pode ser que depois disso
me venha alguma boa idéia na cabeça.

Campinas, 12 de dezembro de 2008.

Porque

Ele não disse nada
e eu, talvez, também
não devesse dizer.
Os olhos arregalados
a surpresa atroz
revelaram-se nos outros
ao redor, que viram
a morte carregando um homem
enquanto os trens deslizavam
pelos trilhos do metrô
e o mundo não podia parar.
Um terrível engano,
um pedido de desculpas,
é o mundo moderno
que deixa as pessoas
highly stressed
a ponto de matarem uns
aos outros sem saber
exatamente
porquê.

Campinas, 12 de dezembro de 2008.